OAB-PA acompanha reestruturação do Judiciário e aponta preocupação com a centralização dos serviços de Secretaria

Entidade não é contrária à modernização, mas cobra mais transparência e diálogo sobre a implementação da Ciprej e seus efeitos no acesso à Justiça, sobretudo no interior

A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) aprovou, nesta terça-feira (28), o Projeto de Lei (PL) n° 240/2026, de autoria do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), que trata da reestruturação de unidades, cargos comissionados e funções gratificadas no âmbito do Poder Judiciário estadual.

Um dos principais pontos da proposta é a criação da Secretaria Judiciária de 1° Grau do TJPA, unidade vinculada diretamente à Presidência da Corte, com a finalidade de centralizar, padronizar e executar, de forma eletrônica, os atos processuais típicos das Secretarias e das Unidades de Processamento Judicial (UPJs) de 1° Grau de jurisdição, substituindo as unidades atualmente existentes na capital e no interior do Estado. Integrará essa estrutura a Central Integrada de Processamento Judicial Eletrônico (Ciprej).

O planejamento da Lei

Em 15 de julho de 2025, a Ciprej foi apresentada pelo presidente do TJPA, desembargador Roberto Moura, aos representantes das instituições que compõem o sistema de Justiça, incluindo ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), Sávio Barreto.

Na ocasião, já havia sido formalizada a instituição de Comissão de Implementação da Ciprej, por meio da Portaria nº 3.190/2025, publicada no Diário da Justiça. O presidente da Corte, desembargador Roberto Moura, explicou que o sistema teria foco na padronização de fluxos, otimização de rotinas e centralização de serviços, com a perspectiva de promover maior eficiência, produtividade e qualidade na prestação jurisdicional em todo o Estado. Não havia, no entanto, data para efetivação da mudança, ainda em fase de planejamento.

Nessa reunião, o presidente Sávio Barreto registrou a necessidade de aprimorar o atendimento à advocacia nas Secretarias e das Unidades de Processamento Judicial (UPJs), haja vista a quantidade de reclamações, tanto no atendimento presencial quanto por meio dos canais virtuais. Segundo Sávio Barreto, a criação de uma unidade centralizada desses serviços acende um sinal de alerta em relação à possibilidade de agravamento do problema, prejudicando ainda mais o exercício da advocacia, principalmente nas comarcas do interior, dado o deslocamento integral dos serviços de Secretaria para uma “Supersecretaria” instalada na capital.

Após a reunião, em 6 de agosto de 2025, a Presidência da OAB-PA, expressando preocupação com o impacto dessa mudança, sobretudo nas comarcas do interior do Estado, encaminhou ofício aos presidentes das Subseções da Ordem, solicitando análise do tema em âmbito local. O objetivo era reunir contribuições que refletissem as especificidades de cada região, especialmente quanto ao funcionamento das Secretarias e das UPJs já existentes nas comarcas. 

O assunto também foi tratado no âmbito do Conselho Seccional, ao qual o presidente Sávio Barreto reportou todo o teor da reunião no Tribunal de Justiça e encaminhou a apresentação oficial do projeto, elaborado pela Comissão de Implementação da Ciprej, tendo se comprometido a manter o acompanhamento do assunto.

No início de fevereiro deste ano, durante a realização do III Colégio de Presidentes de Subseções, a OAB-PA voltou a discutir o tema com representantes da advocacia de todas as regiões do Estado. O encontro, realizado a cada semestre, tem como finalidade fortalecer o diálogo institucional e a construção coletiva de pautas relevantes para a classe.

Na programação técnica, realizada no Plenário da Ordem no dia 6 daquele mês, o vice-presidente do TJPA, desembargador Luiz Gonzaga Neto, discursou a respeito do planejamento de criação da Ciprej. Em sua manifestação, ele destacou a atuação conjunta das instituições que integram o sistema de Justiça. “Estamos todos no mesmo barco buscando um só objetivo, que é exatamente a melhoria da prestação jurisdicional”, disse, à época.

A criação da Lei

O TJPA deu andamento a um processo interno, submetendo a proposta de reestruturação da Corte à apreciação do Tribunal Pleno. A matéria foi inicialmente pautada para a 49ª Sessão Ordinária, realizada em 17 de dezembro de 2025, mas teve sua análise suspensa em razão de um pedido de vista. Posteriormente, o tema foi incluído na pauta da 4ª Sessão Ordinária do Tribunal Pleno, em 4 de fevereiro deste ano.

Após a aprovação no Pleno do TJPA, a proposta foi encaminhada à Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) em 30 de março de 2026, sendo aprovada em Sessão Ordinária no dia 28 de abril.

Ausência de consulta à OAB-PA

A OAB-PA reconhece as iniciativas tomadas no sentido de comunicar o planejamento de implantação da Ciprej. Todavia, durante a fase de aprovação da Lei no Pleno e na Assembleia Legislativa, ocorrida no intervalo de menos de três meses, a Ordem não foi instada a se manifestar, sendo desconhecida também a consulta a qualquer outra instituição do sistema de Justiça.

Em que pese a não obrigatoriedade de consulta prévia à OAB-PA, essa ausência de diálogo acarreta falta de transparência e de participação democrática de uma instituição que exerce papel essencial à administração da Justiça e que será fortemente impactada pela alteração legislativa.

Providências tomadas pela OAB-PA

Ainda assim, ao tomar conhecimento do andamento do projeto na Alepa, a OAB-PA designou o presidente da Comissão de Assuntos Legislativos, André Amaral da Silva, a acompanhar os trâmites e as sessões ocorridas nas Comissões da Casa Legislativa, compilando informações a respeito dos debates e das emendas apresentadas.

Além disso, o Presidente da OAB-PA recebeu, no mesmo período, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Pará (Sindju-PA), que lhe reportou ter sido excluído do debate a respeito da Lei e do acesso aos documentos que instruem o referido processo legislativo, o que só foi obtido por meio de liminar deferida no Pedido de Providências n° 0009392-17.2025.2.00.000, em trâmite no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa documentação foi disponibilizada pelo Sindju-PA para subsidiar os estudos e análise da OAB-PA.

Finalmente, por meio das informações colhidas na Alepa e fornecidas pelo sindicato, a Ordem designou o conselheiro seccional Bernardo Morelli para realizar um estudo amplo do impacto da Lei para advocacia, o que será objeto de deliberação do Conselho Seccional.

E para ampliar esse debate, será emitido novo ofício circular, reiterando a necessidade de as Subseções contribuírem com suas manifestações a respeito do assunto, havendo, ainda, a possibilidade de designação de uma audiência pública.

Impacto da medida

A criação da Ciprej produz efeitos que vão além da reorganização administrativa do Judiciário, alcançando diretamente as carreiras dos servidores e o funcionamento das unidades judiciais. A medida também repercute no atendimento à população e no exercício da advocacia, especialmente nas comarcas do interior do Estado.

A Ordem reforça que não se opõe a iniciativas voltadas à modernização e ao aumento da eficiência do Poder Judiciário. A entidade reconhece a importância de avanços tecnológicos e de medidas que busquem dar mais celeridade à tramitação processual.

No entanto, chama atenção para a forma como o processo vem sendo conduzido. Para a OAB-PA, a ausência de maior transparência ao longo da construção da proposta e a limitação do debate com os diversos atores do sistema de Justiça geram preocupação, sobretudo diante da dimensão das mudanças previstas.

Outro ponto sensível é o possível impacto da centralização dos serviços nas comarcas do interior. A avaliação é de que a medida pode alterar significativamente a dinâmica de atendimento, com reflexos diretos na atuação da advocacia e no acesso da população aos serviços judiciais.

A OAB-PA defende que a implementação de mudanças estruturais dessa natureza seja acompanhada de um diálogo mais amplo e contínuo, que permita avaliar, de forma concreta, os efeitos da medida e garantir que a busca por eficiência não comprometa a proximidade do Judiciário com a sociedade.

Conselheiros Federais Efetivos

Abel Expedito Trindade da Conceição
Aline Cristiane Anaissi de Moraes Braga
Aline de Fátima Lima Gomes de Miranda
Aline Penedo de Oliveira
Ananda Corolina Cordeiro de Jesus
Andreza Maria Nascimento de Mattos
Bernado Araujo da Luz
Bianca Lana Corte
Bianca Ribeiro Lobato
Camilla Veiga Pereira
Claúdia Bitar de Moraes barbosa
Elizabeth Maria Beatrice Abreu de Moraes
Fadia Yasmin Costa Mauro
Flávio Gomes Rodrigues
Gilmar Alexandre Ribeiro do Nascimento
Glaucia Medeios da Costa
Glaucia Medeiros da Costa
Glauzienne Matos Mendes Santos
Gleydson do Nascimento Guimarães
Gleydson do Nascimento Guimarães
Humberto Souza da Costa
Humberto Souza da Costa
Ian Pimentel Gameiro
Ian Pimentel Gameiro
João Paulo Bentes Martins
Leandro Jose do Mar dos Santos
Leandro Nascimento Rodrigues
Lenice Pinheiro Mendes
Lucas de Siqueira Mendes Barbalho
Luciana Figueiredo Akel Fares
Marcelo Adriano de Albuquerque Oliveira
Marcelo Leonam Correa de Barros
Marcia Helena de Oliveira Alves Serique
Mariza Alves de Aguiar Silva
Naiade Nunes Pinto dos Reis
Naylla Augusto Gama
Nelma Catarina Oliveira Martires Costa
Odilon Capucho Pontes de Souza
Patricia Adriana Ribeiro Valente
Paulo André Silva Nassar
Pedro Paulo Cavalero dos Santos
Pietro Maneschy Gasparetto
Pilar Ravena de Souza
Rafaela Noami Carvalho Yokoyana
Raul da Silva Moreira Neto
Renato André Barbosa dos Santos
Roumiee Halan da Silva Souza
Sandro Manoel Cunha Macedo
Soraia Priscila Plach
Stefano Ribeiro de Souza Costa
Tulio Trindade Acataussu de Oliva
Vanessa Maia Ferreira
Verena Mizerani Verdelho
Vladimir Augusto de Carvalho Lobo e Avelino Pereira Koenig
Wellington Silva dos Santos
Wellington Ventura da Silva
Wilma Lemos Souza e Silva

Conselheiros(as) Seccionais Efetivos(as)

Almir Cardoso Ribeiro
Ana Paula Cavalcante Nicolau da Costa
Ana Paula da Costa e Silva
Ana Rebecca Manito Litaiff
Andrea Carla da Silva Marques
Bernardo Morelli Bernardes
Bianca Cartagenes Saraiva
Camila Maia Migliano
Carla Fernanda Micucci Xavier
Clodomir Assis Araújo Júnior
Dennis Verbicaro Soares
Edimar de Souza Gonçalves
Evandro Antunes Costa
Felipe da Silva Dias
Flavia Luciana Guimarães Marçal Pantoja de Araujo
Francisco Brasil Monteiro Filho
Gabriela Giugni da Silva Holanda Castro
Haroldo Wilson Gaia Pará
Indira Gandhi da Silva Lima
Ivana Passos de Melo Antunes Costa
Jamille Saraty Malveira Graim
José Luiz de Araújo Mindello Neto
Jossinéia Silva Pereira
Juliana Andrea Oliveira
Juliana Teixeira da Fonseca Souza
Leandro de Jesus Paixão
Lucenilda de Abreu Almeida
Luiz Alberto Gurjão Sampaio de Cavalcante Rocha
Marcelo Matos Barreto
Maria Cristina Portinho Bueno
Maria de Nazaré Nogueira Guimarães Rolim
Maria do Rosário Nonato Aranha
Melina Silva Gomes Brasil de Castro
Mylene da Silva Cristo de Carvalho
Napoleão Nicolau da Costa Neto
Neila Moreira Costa
Nelson Paulo Simões Nasser
Paulo Ivan Borges Silva
Roberta Miwako Takanashi da Silva Centeno
Rodrigo Tavares Godinho
Romulo Oliveira da Silva
Savio Leornado de Melo Rodrigues
Sérgio Leite Cardoso Filho
Tadeu Alves Sena Gomes
Tarina Nascimenyto Cajazeira
Tatianna Cunha da Cunha Conrado
Victor Correa Faraon

Conselheiros Federais Efetivos

Bruna Koury de Figueiredo Pina Mangas
Eulina Maia Rodrigues
Marcelo Augusto Teixeira de Brito Nobre

Conselheiros Federais Efetivos

Leonardo Maia Nascimento
Mary Lucis do Carmo Xavier Cohen
Wesley Loureiro Amaral