OAB-PA, Amatra8 e Amepa assinam protocolo contra discriminação de gênero no sistema de Justiça

Documento inédito reúne compromissos institucionais para combater práticas discriminatórias e promover respeito e equidade no Judiciário paraense

Elisa Vaz

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região (Amatra8) e a Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa) assinaram, nesta sexta-feira (29), o Protocolo Justiça Livre de Violência de Gênero, iniciativa inédita que estabelece compromissos institucionais para prevenir e combater condutas discriminatórias contra mulheres no sistema de Justiça, criado a partir de debates entre as entidades sobre casos concretos ocorridos entre advogados(as) e magistrados(as).

O protocolo prevê medidas de caráter pedagógico e disciplinar, assumidas pelas entidades de acordo com suas atribuições. Entre as obrigações estão: a criação de vídeos informativos e campanhas permanentes de conscientização; a promoção de formações e debates sobre igualdade de gênero; o fortalecimento dos canais de denúncia; e o levantamento e acompanhamento de casos em trâmite que envolvam questões de gênero em conduta institucional.

Para marcar o lançamento, foi exibido um vídeo institucional na sede da OAB-PA e nas redes sociais das entidades, com falas que refletem frases discriminatórias ainda presentes em tribunais, escritórios e na sociedade, e reforçam a necessidade urgente de transformação cultural. O documento ficará aberto a novas adesões de outras instituições do sistema de Justiça, ampliando seu alcance e impacto.

Importância do protocolo

Para o presidente da OAB-PA, Sávio Barreto, é de extrema relevância o pacto em que as próprias instituições se colocam sob a obrigação de rever suas práticas. “A iniciativa, que partiu da Amatra8, surgiu da percepção de que discriminações de gênero ainda ocorrem dentro do próprio sistema que deveria combatê-las”, diz.

Barreto reforça que o protocolo “é um compromisso que estabelecemos para nós mesmos, assumindo a responsabilidade de olhar para dentro e enfrentar essa realidade. Mais do que palavras, precisamos dar exemplos, e esse documento é um passo importante nessa luta que é histórica e precisa ser permanente”.

A vice-presidente da Ordem, Brenda Araújo, destaca o papel coletivo da advocacia e da magistratura no combate às violências de gênero. “É fundamental reconhecer a transversalidade da perspectiva de gênero em todas as áreas do Direito. A construção coletiva desse protocolo nos comove porque exige humildade e compromisso de todas as instituições. É uma pauta que incomoda, mas que precisa ser enfrentada. Estamos falando de uma campanha permanente de combate à violência de gênero no sistema de Justiça”, menciona.

Já a secretária-geral da OAB-PA, Eva Franco, ressalta o espírito de união entre as carreiras jurídicas. “Quando a magistratura se une à advocacia, temos um campo perfeito para uma boa partida de futebol, porque nós temos as duas traves principais e um meio de campo que depende muito da disposição dos jogadores. E quando nós fazemos um protocolo dessa natureza para pedir respeito às mulheres no sistema de Justiça, o verdadeiro esporte que está acontecendo”, celebra.

Magistratura

Presidente da Amatra8, Roberta Santos enfatiza que a intenção é expandir o protocolo para todo o sistema de justiça. “Este é um chamado à humanidade e ao respeito dentro do sistema de Justiça. Quero pedir a todos que realmente nos olhemos como indispensáveis, seja na advocacia ou na magistratura, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, todos nós existimos por uma razão: resguardar a honra jurídica. E isso começa com respeito entre nós”, diz.

Por fim, o presidente da Amepa, Líbio Moura, também destaca o caráter histórico da iniciativa e a importância da adesão coletiva. “Este protocolo simboliza a união de instituições que reconhecem sua responsabilidade diante da sociedade e, sobretudo, com as mulheres que atuam diariamente no sistema de Justiça. É uma mudança cultural que precisamos assumir. A Amepa reafirma o compromisso de trabalhar para que cada magistrada e cada advogada encontre um ambiente seguro, respeitoso e igualitário no exercício de suas funções”, pontua.

Competência de cada órgão

Além das ações conjuntas, o Protocolo Justiça Livre de Violência de Gênero estabelece atribuições concretas para cada entidade. A OAB-PA se comprometeu a elaborar parâmetros para tratamento de novos casos envolvendo violência de gênero; orientar relatores do Tribunal de Ética e Disciplina (TED) e da Ouvidoria da Mulher quanto ao enquadramento jurídico e ético de casos envolvendo a temática; a Comissão das Mulheres e Advogadas passa a atuar como órgão consultivo; e a Escola Superior da Advocacia (ESA) será pólo permanente de formação e produção de conhecimento sobre equidade de gênero e enfrentamento da violência institucional.

Já a Amatra8 terá a missão de incluir o debate sobre equidade de gênero e respeito institucional nas formações iniciais e continuadas da magistratura trabalhista, em parceria com a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (EJUD8). A associação também promoverá atividades formativas e solicitará apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8) para viabilizar espaços e plataformas para a realização das ações, além de incentivar a reflexão e adesão dos magistrados e magistradas trabalhistas ao protocolo.

A Amepa, por sua vez, estabeleceu como prioridade a articulação junto à Escola da Magistratura do Estado do Pará (EJPA) para a promoção de formações contínuas sobre ética profissional, equidade de gênero e prevenção à violência institucional, e também se comprometeu a estimular a participação da magistratura estadual em campanhas e eventos ligados ao protocolo, além de buscar apoio institucional do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) e articular seus associados em torno da pauta.

Confira aqui o protocolo completo.

Acesse aqui o vídeo da campanha.

Conselheiros Federais Efetivos

Abel Expedito Trindade da Conceição
Aline Cristiane Anaissi de Moraes Braga
Aline de Fátima Lima Gomes de Miranda
Aline Penedo de Oliveira
Ananda Corolina Cordeiro de Jesus
Andreza Maria Nascimento de Mattos
Bernado Araujo da Luz
Bianca Lana Corte
Bianca Ribeiro Lobato
Camilla Veiga Pereira
Claúdia Bitar de Moraes barbosa
Elizabeth Maria Beatrice Abreu de Moraes
Fadia Yasmin Costa Mauro
Flávio Gomes Rodrigues
Gilmar Alexandre Ribeiro do Nascimento
Glaucia Medeios da Costa
Glaucia Medeiros da Costa
Glauzienne Matos Mendes Santos
Gleydson do Nascimento Guimarães
Gleydson do Nascimento Guimarães
Humberto Souza da Costa
Humberto Souza da Costa
Ian Pimentel Gameiro
Ian Pimentel Gameiro
João Paulo Bentes Martins
Leandro Jose do Mar dos Santos
Leandro Nascimento Rodrigues
Lenice Pinheiro Mendes
Lucas de Siqueira Mendes Barbalho
Luciana Figueiredo Akel Fares
Marcelo Adriano de Albuquerque Oliveira
Marcelo Leonam Correa de Barros
Marcia Helena de Oliveira Alves Serique
Mariza Alves de Aguiar Silva
Naiade Nunes Pinto dos Reis
Naylla Augusto Gama
Nelma Catarina Oliveira Martires Costa
Odilon Capucho Pontes de Souza
Patricia Adriana Ribeiro Valente
Paulo André Silva Nassar
Pedro Paulo Cavalero dos Santos
Pietro Maneschy Gasparetto
Pilar Ravena de Souza
Rafaela Noami Carvalho Yokoyana
Raul da Silva Moreira Neto
Renato André Barbosa dos Santos
Roumiee Halan da Silva Souza
Sandro Manoel Cunha Macedo
Soraia Priscila Plach
Stefano Ribeiro de Souza Costa
Tulio Trindade Acataussu de Oliva
Vanessa Maia Ferreira
Verena Mizerani Verdelho
Vladimir Augusto de Carvalho Lobo e Avelino Pereira Koenig
Wellington Silva dos Santos
Wellington Ventura da Silva
Wilma Lemos Souza e Silva

Conselheiros(as) Seccionais Efetivos(as)

Almir Cardoso Ribeiro
Ana Paula Cavalcante Nicolau da Costa
Ana Paula da Costa e Silva
Ana Rebecca Manito Litaiff
Andrea Carla da Silva Marques
Bernardo Morelli Bernardes
Bianca Cartagenes Saraiva
Camila Maia Migliano
Carla Fernanda Micucci Xavier
Clodomir Assis Araújo Júnior
Dennis Verbicaro Soares
Edimar de Souza Gonçalves
Evandro Antunes Costa
Felipe da Silva Dias
Flavia Luciana Guimarães Marçal Pantoja de Araujo
Francisco Brasil Monteiro Filho
Gabriela Giugni da Silva Holanda Castro
Haroldo Wilson Gaia Pará
Indira Gandhi da Silva Lima
Ivana Passos de Melo Antunes Costa
Jamille Saraty Malveira Graim
José Luiz de Araújo Mindello Neto
Jossinéia Silva Pereira
Juliana Andrea Oliveira
Juliana Teixeira da Fonseca Souza
Leandro de Jesus Paixão
Lucenilda de Abreu Almeida
Luiz Alberto Gurjão Sampaio de Cavalcante Rocha
Marcelo Matos Barreto
Maria Cristina Portinho Bueno
Maria de Nazaré Nogueira Guimarães Rolim
Maria do Rosário Nonato Aranha
Melina Silva Gomes Brasil de Castro
Mylene da Silva Cristo de Carvalho
Napoleão Nicolau da Costa Neto
Neila Moreira Costa
Nelson Paulo Simões Nasser
Paulo Ivan Borges Silva
Roberta Miwako Takanashi da Silva Centeno
Rodrigo Tavares Godinho
Romulo Oliveira da Silva
Savio Leornado de Melo Rodrigues
Sérgio Leite Cardoso Filho
Tadeu Alves Sena Gomes
Tarina Nascimenyto Cajazeira
Tatianna Cunha da Cunha Conrado
Victor Correa Faraon

Conselheiros Federais Efetivos

Bruna Koury de Figueiredo Pina Mangas
Eulina Maia Rodrigues
Marcelo Augusto Teixeira de Brito Nobre

Conselheiros Federais Efetivos

Leonardo Maia Nascimento
Mary Lucis do Carmo Xavier Cohen
Wesley Loureiro Amaral