21 de março: Dia Internacional contra a Discriminação Racial traz reflexão sobre preconceitos

A OAB-PA cumpre o papel na educação e conscientização quanto ao enfrentamento da discriminação

*Riulen Ropan

No dia 21 de março, comemora-se o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, uma data fundamental na luta pela eliminação de qualquer forma de distinção, exclusão, restrição ou preferência com base em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica. É também um momento para reconhecer as batalhas e conquistas dos direitos sociais de todas as raças. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data traz reflexão e mobilização mundial contra a discriminação racial, criada para lembrar um evento trágico e inspirar a luta por igualdade e justiça.

A origem da data

Em 21 de março de 1960, cerca de 20 mil negros se reuniram em Joanesburgo, na África do Sul, para protestar contra a Lei do Passe, que os obrigava a carregar cartões de identificação que especificavam os locais onde podiam circular. No bairro de Sharpeville, os manifestantes foram confrontados por tropas militares. Apesar de ser uma manifestação pacífica, o Exército abriu fogo contra a multidão, resultando na morte de 69 pessoas e deixando 186 feridas. Esse episódio ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville e, em homenagem à tragédia, a ONU estabeleceu a data como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

No Brasil, a luta contra a discriminação racial ganhou força após a promulgação da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu o crime de racismo como inafiançável e imprescritível. Outro avanço foi a criação da Lei 11.645, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas. No entanto, o racismo continua a exigir mais políticas de inclusão, além da implementação efetiva das leis para combater essas práticas e garantir a proteção de toda a sociedade. A OAB-PA está comprometida com a luta e com a construção de um sistema de Justiça mais inclusivo e representativo.

Desafios das vítimas ao buscar justiça

As vítimas de discriminação racial no Brasil enfrentam diversos desafios ao buscar justiça, e entre os principais está a falta de provas concretas. O racismo muitas vezes se manifesta de forma subjetiva e invisível, dificultando a coleta de evidências claras por parte das vítimas. Isso é especialmente difícil em casos de discriminação implícita, como atitudes preconceituosas em ambientes de trabalho, escolas ou serviços públicos, onde não há registros formais ou testemunhas para corroborar as alegações. 

Presidente da Comissão de Direito e Defesa da Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraense (OAB-PA), Renata Neves diz que os principais desafios enfrentados pelas vítimas de racismo na busca por justiça no sistema legal brasileiro estão, na maioria dos casos, relacionados à falta de reconhecimento de que foram vítimas de discriminação racial. “Muitos cidadãos brasileiros sofrem violência racial e não percebem, muitas vezes por falha do nosso sistema educacional, que não oferece uma educação antirracista”, ressaltou.

Além disso, há uma grande resistência cultural e institucional em reconhecer o racismo estrutural presente na sociedade brasileira. Muitas vezes, as instituições, incluindo o sistema Judiciário, minimizam ou ignoram as manifestações de discriminação racial, tornando o processo de denúncia e julgamento mais complicado. Isso reflete uma dificuldade em lidar com um problema enraizado na cultura, que muitas vezes é visto como algo secundário.

O medo de retaliação também é um obstáculo. As vítimas podem temer sofrer represálias ou enfrentar discriminação ainda mais severa, especialmente em ambientes de trabalho ou em comunidades onde podem ser isoladas ou estigmatizadas. Esse receio pode impedir muitas pessoas de buscar justiça, perpetuando o ciclo de exclusão.

O acesso à justiça também é uma barreira. Muitas vítimas de discriminação racial, especialmente aquelas de classes mais baixas ou que vivem em áreas periféricas, têm dificuldades em acessar o sistema Judiciário. A falta de recursos financeiros, apoio jurídico e conhecimento sobre os próprios direitos dificultam a busca por reparação, e o custo elevado dos processos e a burocracia do sistema judicial também afastam quem precisa de ajuda.

Por fim, a falta de políticas públicas eficazes agrava a situação. Embora existam medidas como a Lei nº 7.716/1989, que define crimes relacionados à discriminação racial, sua aplicação ainda é insuficiente. A falta de fiscalização, de programas educativos adequados e de apoio às vítimas, junto à escassez de políticas públicas inclusivas, dificulta o combate ao racismo no Brasil. Esses fatores fazem com que muitas vítimas se sintam desamparadas e desmotivadas a buscar justiça.

Ações da OAB-PA no combate à discriminação

O sistema OAB-PA tem um compromisso firme com a defesa dos Direitos Humanos, e o combate à discriminação racial é uma parte dessa missão. Um marco importante nessa trajetória é a inclusão de cota racial no processo do Quinto Constitucional da OAB-PA, que, pela primeira vez, garantirá, caso haja candidaturas aptas, a presença de ao menos um homem e uma mulher negros na Lista Sêxtupla. 

As Comissões Temáticas são dedicadas a combater todas as formas de discriminação, entre elas a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Igualdade Racial. Há ainda a Comissão de Liberdade Religiosa, presidida pela advogada Renata Neves. O grupo tem se destacado pelo acompanhamento de casos de racismo religioso, oferecendo suporte às vítimas e realizando visitas às delegacias para garantir que os casos sejam devidamente registrados.

Além disso, a Comissão realiza palestras de enfrentamento ao racismo e de letramento racial em comunidades e escolas, com o objetivo de promover a igualdade e combater o racismo religioso de forma contínua. “A gente tenta trabalhar nesse enfoque. É o que a nossa Comissão de Liberdade Religiosa tem feito para garantir a igualdade no enfrentamento ao racismo religioso”, afirmou Renata Neves.

Por meio da conscientização e da ação, a OAB-PA está contribuindo para a construção de um futuro mais justo e igualitário. Cada passo rumo à educação, ao enfrentamento das desigualdades e à promoção dos Direitos Humanos é um avanço para uma sociedade mais inclusiva.

*Sob supervisão da jornalista Elisa Vaz

Anexos

Conselheiros Federais Efetivos

Abel Expedito Trindade da Conceição
Aline Cristiane Anaissi de Moraes Braga
Aline de Fátima Lima Gomes de Miranda
Aline Penedo de Oliveira
Ananda Corolina Cordeiro de Jesus
Andreza Maria Nascimento de Mattos
Bernado Araujo da Luz
Bianca Lana Corte
Bianca Ribeiro Lobato
Camilla Veiga Pereira
Claúdia Bitar de Moraes barbosa
Elizabeth Maria Beatrice Abreu de Moraes
Fadia Yasmin Costa Mauro
Flávio Gomes Rodrigues
Gilmar Alexandre Ribeiro do Nascimento
Glaucia Medeios da Costa
Glaucia Medeiros da Costa
Glauzienne Matos Mendes Santos
Gleydson do Nascimento Guimarães
Gleydson do Nascimento Guimarães
Humberto Souza da Costa
Humberto Souza da Costa
Ian Pimentel Gameiro
Ian Pimentel Gameiro
João Paulo Bentes Martins
Leandro Jose do Mar dos Santos
Leandro Nascimento Rodrigues
Lenice Pinheiro Mendes
Lucas de Siqueira Mendes Barbalho
Luciana Figueiredo Akel Fares
Marcelo Adriano de Albuquerque Oliveira
Marcelo Leonam Correa de Barros
Marcia Helena de Oliveira Alves Serique
Mariza Alves de Aguiar Silva
Naiade Nunes Pinto dos Reis
Naylla Augusto Gama
Nelma Catarina Oliveira Martires Costa
Odilon Capucho Pontes de Souza
Patricia Adriana Ribeiro Valente
Paulo André Silva Nassar
Pedro Paulo Cavalero dos Santos
Pietro Maneschy Gasparetto
Pilar Ravena de Souza
Rafaela Noami Carvalho Yokoyana
Raul da Silva Moreira Neto
Renato André Barbosa dos Santos
Roumiee Halan da Silva Souza
Sandro Manoel Cunha Macedo
Soraia Priscila Plach
Stefano Ribeiro de Souza Costa
Tulio Trindade Acataussu de Oliva
Vanessa Maia Ferreira
Verena Mizerani Verdelho
Vladimir Augusto de Carvalho Lobo e Avelino Pereira Koenig
Wellington Silva dos Santos
Wellington Ventura da Silva
Wilma Lemos Souza e Silva

Conselheiros(as) Seccionais Efetivos(as)

Almir Cardoso Ribeiro
Ana Paula Cavalcante Nicolau da Costa
Ana Paula da Costa e Silva
Ana Rebecca Manito Litaiff
Andrea Carla da Silva Marques
Bernardo Morelli Bernardes
Bianca Cartagenes Saraiva
Camila Maia Migliano
Carla Fernanda Micucci Xavier
Clodomir Assis Araújo Júnior
Dennis Verbicaro Soares
Edimar de Souza Gonçalves
Evandro Antunes Costa
Felipe da Silva Dias
Flavia Luciana Guimarães Marçal Pantoja de Araujo
Francisco Brasil Monteiro Filho
Gabriela Giugni da Silva Holanda Castro
Haroldo Wilson Gaia Pará
Indira Gandhi da Silva Lima
Ivana Passos de Melo Antunes Costa
Jamille Saraty Malveira Graim
José Luiz de Araújo Mindello Neto
Jossinéia Silva Pereira
Juliana Andrea Oliveira
Juliana Teixeira da Fonseca Souza
Leandro de Jesus Paixão
Lucenilda de Abreu Almeida
Luiz Alberto Gurjão Sampaio de Cavalcante Rocha
Marcelo Matos Barreto
Maria Cristina Portinho Bueno
Maria de Nazaré Nogueira Guimarães Rolim
Maria do Rosário Nonato Aranha
Melina Silva Gomes Brasil de Castro
Mylene da Silva Cristo de Carvalho
Napoleão Nicolau da Costa Neto
Neila Moreira Costa
Nelson Paulo Simões Nasser
Paulo Ivan Borges Silva
Roberta Miwako Takanashi da Silva Centeno
Rodrigo Tavares Godinho
Romulo Oliveira da Silva
Savio Leornado de Melo Rodrigues
Sérgio Leite Cardoso Filho
Tadeu Alves Sena Gomes
Tarina Nascimenyto Cajazeira
Tatianna Cunha da Cunha Conrado
Victor Correa Faraon

Conselheiros Federais Efetivos

Bruna Koury de Figueiredo Pina Mangas
Eulina Maia Rodrigues
Marcelo Augusto Teixeira de Brito Nobre

Conselheiros Federais Efetivos

Leonardo Maia Nascimento
Mary Lucis do Carmo Xavier Cohen
Wesley Loureiro Amaral